conhecendo novos jogos

JOGOS MAIS LEGAIS

jogados entre janeiro e abril de 2004


Aqui vão alguns comentários e breves descrições de alguns dos jogos mais legais que joguei recentemente: Torres, Durch die Wüste, Lowenherz, Ricochet Robot, Vabanque, Gnadenlos, Starwars Epic Duels e Apples to Apples.

 

Veja também comentários sobre Coloretto, PoF, Heave Ho, San Marco, Bang, De l'Orc pour les Braves e 6 Nimmt

E ainda sobre Hera and Zeus, Medina, Euphrat & Tigris e Don


 

TORRES

Um jogo de estratégia rico em possibilidades, mas relativamente rápido, simples e elegante. Cada jogador se esforça por posicionar seus homens em torres cada vez mais altas. Às vezes você constrói as torres, às vezes você se aproveita das torres construídas pelos adversários.

O número de ações que você pode fazer a cada rodada é limitado, o que o obriga a tomar decisões sempre difíceis.

Acho que o Kramer acertou em cheio nesse. É um excelente jogo, para 2 a 4 jogadores, com duração aproximada de uma hora. Eleito o jogo do ano (SDJ) em 2000, além de ficar com o segundo lugar no DSP do mesmo ano.

Para quem quiser comprar, vale o alerta de que as cartas especiais têm texto. Portanto evitem comprar a versão alemã.

 

DURCH DIE WÜSTE

Durch die Wuste também é um jogo de estratégia, ainda mais simples e mais rápido que o Torres. É um jogo de posicionamento que se passa num cenário de deserto das Arábias.

Na sua jogada você simplesmente escolhe dois camelos (há camelos de várias cores) e os acrescenta em caravanas suas. De acordo com os territórios que suas caravanas tocarem você pode ganhar um número diferente de pontos. Além disso, você ganha pontos extra se cercar uma área ou se tiver a caravana mais longa em uma das cores de camelos.

Um jogo de raciocínio quase abstrato, com inspiração no Go. Pode entreter tanto dois como vários jogadores, principalmente se gostarem desse tipo de jogo. Há quem o ache um pouco frio. Para mim é um jogo excelente e a única dúvida que me resta é até que ponto o sucesso depende do próprio jogador, principalmente nas partidas de vários jogadores, onde uns interferem nas ações dos outros. Teria que jogar mais vezes para saber. Foi criado por Reiner Knizia.

 

LOWENHERZ

Joguei Lowenherz pela segunda vez. É um jogo muito interessante e é difícil imaginar que três jogos como Settlers, Entdecker e Lowenherz possam ter se originado no mesmo projeto de Klaus Teuber.

Teuber aliás foi considerado no final da década de 90 como o grande autor dos jogos de segunda geração. De uns anos para cá tem criado menos e se dedicado mais às seqüências de seus jogos, especialmente do seu grande sucesso de público: Settlers of Catan. Mas eu ainda não joguei um jogo dele de que não gostasse. Ele consegue uma mistura excelente entre tema, mecânica e emoção.

Nesse jogo, que pode ser um pouco violento (cuidado aqueles que sempre saíam aborrecidos de uma partida de War), cada jogador está no papel de um príncipe tentando se mostrar o mais capaz de herdar o reino. Para isso, cada um tenta ampliar seu território não apenas em tamanho mas em riqueza, conquistando cidades e montanhas com minério.

A cada jogada, é aberta uma carta indicando que ações são permitidas. Em geral as ações são: construir muros, avançar com os muros dos seus territórios, colocar soldados, receber dinheiro ou comprar uma carta política.

Dê uma olhada na explicação dos componentes do jogo:

O detalhe que cria o clima de disputa é que a cada rodada há uma ação a menos do que o número de jogadores. Alguém não poderá agir na rodada. Começando pelo jogador da vez, cada um diz qual das ações pretende realizar. Aqueles que escolheram uma ação que ninguém mais escolheu, podem fazê-la. Caso dois escolham a mesma ação, eles se enfrentam em duelo e só o vencedor ganha o direito de fazer o que queria.

As possibilidades parecem ser muito grandes e uma partida é muito pouco para visualizar tudo o que é possível. É um daqueles jogos que dá vontade de você ficar pensando depois da partida no que poderia fazer caso jogasse de novo. Você percebe que cometeu erros terríveis, que poderia ter agido de uma maneira completamente diferente.

Sem dúvida um jogo que eu recomendo, principalmente se você é um gamer, ou seja, se está acostumado a jogar com regularidade. Para marinheiros de primeira viagem Lowenherz pode ser um pouco indigesto. O jogo ganhou o prêmio DSP em 1997. Recentemente o jogo foi relançado numa nova versão chamada Domaine, mas não sei nada sobre ela.

 

RICOCHET ROBOT

Alex Randolph, autor desse jogo, é um americano que tem mais de 80 anos e dezenas de jogos publicados. Ricochet Robot tem a curiosa característica de que pode ser jogado por qualquer número de jogadores, a partir de 2. Na caixa diz que é de 2 a infinito; suponho que o difícil seja juntar infinitos jogadores numa sala!

O jogo é basicamente um puzzle, mas com um bom timing e uma sacada para a reflexão simultânea. Cada posição que se cria aleatoriamente no tabuleiro é um novo problema para ser resolvido. Há vários robozinhos com algumas poucas regras de movimento. Uma ficha é sorteada e cada jogador se esforça para encontrar o caminho mais curto que o robô da cor da ficha possa fazer até o símbolo da ficha (no tabuleiro). Para isso ele pode mover qualquer robô na horizontal ou vertical. Um robô só pára quando encontrar um obstáculo. E se quiser, segue num ângulo de 90º. É isso.

Daí cada um começa a se retorcer, com caretas das mais variadas, para tentar visualizar mentalmente o caminho do robô. Quem encontrar uma solução, anuncia em voz alta quantos movimentos precisou para levar mentalmente o robô até seu destino. O jogador vira então a ampulheta e os demais tem 1 minuto para encontrar uma solução melhor do que a sua. Aquele que visualizou o caminho em menos jogadas mostra então como fazer. E fica com a ficha. Simples mas envolvente. Parece o jogo para ser um sucesso ou fracasso dependendo do grupo de jogadores. Quem não gosta de pensar vai ter preguiça de jogar.

 

VABANQUE

Meu amigo CB ficava bravo comigo a cada vez que eu esquecia de levar o Vabanque nas sessões de jogos. Até que ele resolveu comprar seu próprio Vabanque! Para ele é o melhor jogo de blefe. Eu tenho minhas dúvidas, embora concorde que o jogo é muito bom.

O jogo se passa nas mesas de um cassino de Montecarlo e cada participante, no papel de um jogador profissional, espreita as mesas para encontrar as melhores oportunidades de ganhar dinheiro, com apostas ou com trapaça.

A princípio as apostas em cada mesa são visíveis, mas há cartas fechadas que fazem toda a diferença. Elas definem em que mesas você pode ganhar dinheiro, se você vai apostar honestamente ou tentar trapacear. E todo o interesse do jogo está em intuir o que os outros vão jogar e pegar eles na curva! É bem divertido. Uma colaboração do francês Faidutti com o italiano Colovini.

 

GNADENLOS

Acho que é um dos jogos do Teuber que fez menos sucesso. Eu sou a única pessoa que eu conheço que tem o jogo. Eu gosto dele, embora não seja um dos meus 10 preferidos. Os amigos que jogaram em geral gostaram, embora alguns tenham tido ressalvas para com o jogo.

A disputa se passa no velho oeste e cada jogador assume o papel de um empresário que contrata os tipos mais variados para representá-lo na busca por ouro, em mesas de poker e em duelos. De acordo com a performance dos seus homens você avança ou recua numa trilha de prestígio.

As disputas são interessantes e há pequenas diferenças de uma para outra. A coisa em comum é que sempre a carta vencedora é descartada. Desse modo, com freqüência é interessante tentar ficar em segundo lugar, ou pelo menos não ficar em último. Mas de novo, você tem que supor que cartas os outros jogaram e, se puder, lembrar das cartas que eles ainda têm na mão. Isso é possível porque a contratação dos homens se dá de maneira aberta, em leilões do tipo em que quem der o lance mais baixo não contrata ninguém. Quem dá o lance mais alto é o primeiro a escolher.

A grande emoção do jogo se dá no dia do pagamento. É seu ponto alto e não são muitos os jogos que tem um pico desses. Os dias do pagamento ocorrem quando muito dinheiro já foi prometido aos contratados sem ter sido pago. É assim porque ao contratar você não dá dinheiro, mas sim uma promissória de que vai pagar um dia. Quando chega a hora de pagar, todos ficam na ponta da cadeira, especialmente os que têm pouco dinheiro. As promissórias vão sendo sorteadas num sistema inteligente e freqüentemente o dia do pagamento acaba com um urubu em cima de um jogador, incapaz de pagar suas dívidas. Um urubu e você recua 5 casas na trilha de prestígio. No terceiro urubu, você é eliminado e o jogo termina.

Vence quem tiver avançado mais na trilha de prestígio. O jogo também termina se alguém alcançar uma certa casa do tabuleiro ou se o sétimo duelo tiver sido realizado.

 

STARWARS EPIC DUELS

Se você é fã da série Starwars, duvido que não goste desse jogo. Em cenários tirados dos filmes, você pode fazer o duelo que quiser: Luke Skywalker x Darth Vader, Darth Maul x Obi-Wan Kenobi ou até um improvável Yoda x Imperador.

São 12 personagens, cada um com uma miniatura e um baralho de cartas com poderes que são só seus. Cada personagem tem um ou dois ajudantes, que em alguns casos são robôs, em alguns são guardas, em alguns são personagens como Lea (ajuda Luke), Chewbacca (ajuda Solo) ou Amidala (ajuda Anakin).

O jogo pode ser jogado por 2 a 6 jogadores. Pode ser um duelo um contra um, um duelo de vários contra vários ou cada um por si.

O jogo está longe de ser perfeito mas é bastante razoável e muito bem tematizado. Como já disse, tem um apelo incrível para quem gosta da série Guerra nas Estrelas. E não custa mais do que uns 10 dólares, o que parece barato visto o número de componentes.

 

APPLES TO APPLES

Os party games não costumam ocupar lugares de destaque na minha estante, mas Apples to Apples é uma das exceções. Simples, inteligente e envolvente, Apples to Apples pode ser uma excelente pedida num grupo de não gamers. Tenho alguns amigos que só queriam saber desse jogo. Recentemente me surpreendi ao ver a reação de amigos gamers ao jogo. Eles também adoraram. Só não recomendo se no seu grupo nem todos estão bem familiarizados com o inglês.

Nesse jogo, cada jogador recebe um punhado de cartas com substantivos. Tem todo tipo de coisa, desde "computadores" até "Albert Einstein", passando por "Bungee Jumping", "Cleopatra", "casamentos", "meu futuro"...

O jogador da vez abre uma carta adjetivo. Pode ser "inesquecível", "entediante", "influente", "colorido", "perigoso"...

Aí todos tem que rapidamente escolher uma das cartas da mão e baixar. O jogador da vez recolhe todas, mistura para não saber qual é de quem e lê em voz alta. Aí ele escolhe qual ele acha que é a mais adequada para aquele adjetivo. Ele é o juiz. O engraçado são as combinações que surgem. Por exemplo, imagine que você é o juiz e jogou a carta "perigoso". O que na sua opinião é mais perigoso: "Bungee Jumping", "casamentos", "Cleopatra" ou "seu futuro"? É diante desse tipo de situação que vocês estrão jogada após jogada.

Quem tiver a resposta escolhida fica com a carta de adjetivo. Quem conseguir juntar um certo número de cartas de adjetivo vence a partida. Esse número varia de acordo com quantas pessoas estão jogando.

É diversão na certa, desde que todo mundo saiba inglês.Tem palavras difíceis e até algumas cartas bem típicas da cultura americana, que certos grupos preferem pôr de lado. Tenho até um amigo que decidiu fazer uma versão nacional, que eu ainda não joguei mas deve ficar bem engraçada, principalmente pelas personalidades, que vão desde Xuxa até Paulo Maluf. Já começo a imaginar com que adjetivos eles podem combinar...

 

 

 

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